Voto na Catarina Martins
- CN

- 16 de jan.
- 3 min de leitura

A democracia enfraquece quando o leque de escolhas diminui. Umas presidenciais sem a representação de todo o espectro político não são umas eleicões completas; são um monólogo disfarcado de debate
Em nome da pluralidade, faço este apelo. Precisamos destas vozes. Precisamos, especificamente, de garantir que o espaço à esquerda não fica vazio ou sub- representado num momento em que o conservadorismo e o populismo ganham palco.Apoiei a candidatura da Catarina e faco este apelo não porque ela seja uma "novidade", mas precisamente porque não é. Num tempo volátil, ela é uma certeza. Mas é impossível escrever sobre ela sem tocar na ferida aberta que é a forma como olhamos para as mulheres na política. Há anos que ouço os mesmos adjetivos colados ao nome dela: "dura", "agressiva", "estridente", "radical" 'desafiante". Dizem que fala alto demais, que aponta dedo, que não sorri o suficiente.
Vamos ser honestos connosco mesmos por um minuto? Se a Catarina Martins fosse um homem, de fato e gravata com exatamente o mesmo tom de voz, a mesma postura corporal e a mesma assertividade, não estaríamos a chamar-Ihe "dura". Estaríamos a chamar-Ihe "estadista". Estaríamos a aplaudir de pé a sua "garra", a sua "lideran c10/12 inabalável" e a sua "força de comando". Mas como é uma nulher que se recusa a ser dócil, que se recusa a desempenhar ○ papel decorativo ou maternal que a sociedade ainda espera das fiquras femininas, a sua firmeza é lida como defeito. A Catarina paga o preço de não pedir licença para existir no espaço público.
Ela tem provas dadas que a maioria dos outros candidatos apenas sonha ter. E não falo apenas de currículo ou de anos de Parlamento; falo da qualidade da sua intervencão. A Catarina estuda. Prepara-se. Conhece os dossiês de trás para a frente. Quando entra num debate, não vai para debitar frases feitas ou soundbytes de marketing; ela vai para discutir o pais real. Sabe quanto custa o pão, sabe como funcionam as leis laborais, sabe onde é que o orcamento falha. Essa competência técnica aliada a uma oratória irrepreensível, faz dela um perigo para a demagogia.
E é aqui que a sua presença nestas eleições se torna uma questão de sobrevivência democrática. Olhamos para o crescimento da extrema-direita, para o ruído ensurdecedor do André Ventura, e perguntamo-nos quem conseque travá-lo. A resposta não está no silêncio, nem na polidez excessiva de quem tem medo de se sujar. A resposta pode estar na Catarina. Ela é, talvez, a única política em Portugal que consegue "desconcertar" a extrema-direita olhos nos olhos. Nos debates passados, vimos isso acontecer: ela desmonta as mentiras com uma calma cirúrqica, expondo a vacuidade do discurso populista. Ela não treme. Não gagueja. Não recua.Se o Jorge Pinto nos traz a esperança de que a política pode ser um lugar de encontro, a Catarina traz-nos a segurança de que a política é um lugar de combate, e que ela é a nossa melhor gladiadora.
Dizem que ela divide opiniões. Ainda bem. A democracia não serve para estarmos todos de acordo num coro morno; serve para confrontarmos visões de sociedade. E a visão da Catarina é clara: ela é a voz de quem trabalha, de quem vive do salário, de quem depende do SNS, das mulheres, das minorias. A sua "dureza" não é arrogância; é a blindagem necessária para defender quem, habitualmente, não tem defesa. Precisamos de ver uma mulher a não baixar a cabeça perante o machismo e o autoritarismo. Precisamos de alquém que nos lembre que a política é coisa séria.
A Catarina é aquela que queremos que vá à frente, a abrir caminho, quando a tempestade aperta. Votar nela é apoiar a ideia de que uma mulher assertiva, competente e sem medo tem lugar no Palácio de Belém.
CN, 16/05/2025




Comentários